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Depois de visitares o blog - descobre os olivais, lagares e roteiros que fazem deste lugar um dos mais premiados do Norte de Portugal!

O melhor investimento em viagem é o tempo — viajar sem pressa em Trás-os-Montes

Há quem acredite que, num olival em Vila Nova de Foz Côa, existem oliveiras que foram plantadas quando D. Afonso Henriques ainda pensava conquistar Lisboa.

A propriedade — hoje conhecida como Morgada do Vale — fez parte de cerca de quatro mil hectares que, em 1148, foram doados a um cavaleiro templário de nome Tomé, cuja estátua ainda se avista perto da quinta. O reino era jovem. E é sob essa memória — templária, agrícola, silenciosa — que uma parte deste território continua a produzir azeite quase nove séculos depois. Aqui, quer as oliveiras tenham a idade que a tradição lhes atribui, quer sejam simplesmente descendentes daquele primeiro olival, o tempo não é dinheiro. É o único investimento que verdadeiramente compensa.

Trás-os-Montes e Alto Douro é o território onde o tempo, em vez de escassear, se oferece.


Uma semana que sabe a duas


Uma viagem por Trás-os-Montes não se mede em quilómetros. Mede-se em conversas demoradas, em jantares que se estendem porque ninguém precisa de sair, em manhãs que começam sem despertador, em tardes em que a única decisão importante é qual dos miradouros escolher. Uma semana aqui sabe a duas noutro lado qualquer.


E há duas épocas do ano em que este território se revela na sua melhor forma.


olival no outuno

A primavera, entre finais de fevereiro e maio, é a estação das amendoeiras em flor — quando os campos do Douro Superior se cobrem de branco e rosa e as temperaturas convidam a passeios longos.

O outono, entre setembro e novembro, é a estação da colheita da azeitona, do azeite novo, das folhas que ganham cor e das temperaturas amenas.


Os meses de pico do verão, com o calor a ultrapassar frequentemente os 35 graus, e os meses de inverno mais rigoroso, são mais difíceis de lidar.


Para quem prefere viajar sem pressa, primavera e outono são o convite ideal. E as cores são indescritíveis.


Alijó: uma base para o tempo lento



Comece a viagem em Alijó, no coração do Alto Douro Vinhateiro — o primeiro território português classificado como Património Mundial da UNESCO. O centro histórico da vila é discreto e digno, com edifícios do século XIX, ruas empedradas, cafés onde ainda se conversa sem se olhar para o relógio.


O Palacete Barão Forrester — Forrester Essence Douro Hotel é uma escolha natural para instalar-se durante alguns dias. Um boutique hotel de charme num edifício histórico do centro de Alijó, com o nome do Barão de Forrester — a figura que, no século XIX, reformou a produção de vinho do Porto e cartografou o Douro pela primeira vez. Dormir aqui é dormir dentro da história desta região.


A partir de Alijó, o Douro está à mão. Um dos passeios mais memoráveis para se fazer sem pressa é o cruzeiro no rio Douro entre a Régua e o Pinhão — a bordo de um barco tradicional, com almoço servido devagar, com paragens em quintas onde se prova vinho do Porto e azeite. Não é uma excursão apressada. É uma tarde inteira dedicada a olhar.

Não muito longe, as aldeias vinhateiras do Douro — Provesende, Casal de Loivos, Favaios — pedem manhãs de exploração sem pressa. Em Favaios, aproveite para provar o moscatel local; em Provesende, deixe-se estar na praça e observe. Os miradouros de São Leonardo de Galafura e São Salvador do Mundo estão a caminho, e oferecem vistas sobre o Douro que compensam qualquer detour.


Vila Flor: onde o azeite tem lagar próprio



A meio da viagem, vale a pena subir até Vila Flor, na Terra Quente Transmontana — a que muitos chamam a capital portuguesa do azeite. A hora e pouco de Alijó, cruzando paisagens que alternam entre socalcos de vinha e olivais que se estendem até ao horizonte, esta pequena vila conserva memórias que vale a pena escutar.


A Sociedade Agrícola Quinta do Barracão da Vilariça recebe visitantes num lugar onde o presente e o passado convivem sem esforço. O produtor tem um pequeno lagar em funcionamento e um antigo ecomuseu de azeite com cerca de dois séculos, onde ainda se veem os equipamentos originais que faziam o azeite em gerações anteriores.


Reserve com antecedência — as visitas incluem prova comentada, tour ao olival tradicional e, se calhar, a viagem entre finais de outubro e novembro, a possibilidade de assistir ao processo de transformação da azeitona no momento em que o azeite novo nasce.


No centro histórico de Vila Flor, dedique tempo ao Museu Municipal Berta Cabral, à Igreja da Misericórdia com o seu teto pintado do século XVIII, e ao antigo Arco de D. Dinis — recordação da cerca medieval que rodeava a vila.


Ao almoço, a posta transmontana com azeite acabado de provar é uma experiência que já vale a viagem.

Vale a pena também descobrir a amêndoa transmontana — um produto endógeno com forte presença nesta zona e cuja árvore é responsável pelo espetáculo primaveril que atrai visitantes de todo o país.


Foz Côa: um olival que atravessa memórias



A viagem culmina em Vila Nova de Foz Côa, no ponto onde o rio Côa se funde com o Douro — um dos cantos mais dramáticos da paisagem portuguesa.


É aqui, entre olivais que descem em socalcos até ao rio, que a Morgada do Vale preserva a memória da doação de 1148 e a linhagem familiar de cinco gerações consecutivas que continua a cuidar da terra.


A propriedade tem quarenta hectares. Entre eles, oliveiras que se acredita remontar aos primeiros séculos da exploração — histórias que se transmitem em família, se escutam à sombra dos ramos e que fazem parte da identidade profunda deste lugar.


A quinta produz um azeite gourmet biológico virgem extra, com foco em restaurantes e chefs que valorizam produtos com identidade forte. Uma prova aqui, com o Douro em fundo e o silêncio da paisagem à volta, é uma dessas experiências que se lembram anos depois.


E há muito mais para descobrir em Foz Côa sem pressa.


O Museu do Côa é uma paragem obrigatória — não só pelas gravuras rupestres paleolíticas do Vale do Côa, Património Mundial da UNESCO, mas também pelo enquadramento arquitectónico do próprio edifício, projectado por Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, sobranceiro à confluência dos dois rios.

Visitas guiadas ao Parque Arqueológico do Vale do Côa podem ser combinadas com o museu — as caminhadas até aos sítios de arte rupestre são suaves e adequadas a passeios contemplativos.


Se a viagem cair entre 15 de fevereiro e 8 de março, coincide com a Festa da Amendoeira em Flor — o grande evento primaveril do Douro Superior, que este ano celebra a sua 44.ª edição.

Os campos ficam cobertos de branco e rosa, e a programação inclui concertos, teatro, animação de rua, caminhadas, exposições e o tradicional desfile etnográfico. Para uma visão panorâmica de tudo o que acontece na região nesta altura do ano — com feiras em Mogadouro, Torre de Moncorvo, Foz Côa, Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor —, o nosso guia completo das amendoeiras em flor 2026 reúne programas e sugestões de percursos.


As aldeias históricas de Numão, Almendra e Castelo Melhor, todas no concelho de Foz Côa, valem paragens demoradas.

Muros de pedra seca, casas de xisto, igrejas românicas, capelas votivas. E os miradouros ao longo do rio Côa — Ribeirinha, Santa Bárbara — oferecem vistas sobre socalcos de olival e vinha que parecem pintados.

Para quem gosta de caminhar, os percursos pedestres do território incluem trilhos suaves entre olivais e miradouros, filtráveis por município e nível de dificuldade.


A que sabe território?


Azeite à mesa.

A mesa transmontana pede tempo.

A posta mirandesa na brasa, temperada com azeite acabado de fazer.

O cabrito assado no forno de lenha.

As alheiras de Mirandela.

Os enchidos, os queijos, o folar da Páscoa.

Os cogumelos do outono.

As sopas transmontanas — cozida, de castanhas, de peixe do rio — servidas em pratos fundos e comidas devagar.


Peça sempre azeite à mesa e observe o produto que o restaurante escolheu servir. Um bom restaurante em Trás-os-Montes tem sempre um bom azeite. Os dois pertencem.


Consulte a página de restauração e os roteiros por município do nosso site para sugestões concretas em cada localidade.


Como se organiza uma semana assim


Um itinerário possível, para se fazer com calma, sem levantar cedo, sem pressa: três noites em Alijó (Palacete Barão Forrester), com um dia de cruzeiro no Douro, um dia dedicado às aldeias vinhateiras e miradouros, uma noite em Provesende ou Favaios, se apetecer.


Depois, dois dias na zona de Vila Flor com visita ao Barracão da Vilariça, exploração do centro histórico e paragens gastronómicas.


Termine com dois ou três dias em Vila Nova de Foz Côa, com visita à Morgada do Vale, Museu do Côa, aldeias históricas do concelho, miradouros e — dependendo da altura do ano — a Festa da Amendoeira em Flor.


Ao todo, 8 a 10 dias. Distâncias curtas entre pontos. Um ritmo em que cada refeição é um acontecimento e cada conversa merece o tempo que precisa.


Uma última nota para viajar sem pressa


Explora os roteiros por município, os produtores, os alojamentos parceiros e as experiências de olivoturismo no nosso site. Se preferires falar antes de reservar, escreve para info@azeiteanorte.com — respondemos com nome, não com número de referência.


O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.


Uma ressalva sobre a "memória"

A doação de 1148 ao cavaleiro Tomé é história. A idade exata das oliveiras que hoje vivem na propriedade, essa, não foi determinada por estudo científico conhecido.

Faz parte da tradição oral que se guarda e transmite — e essa tradição é, em si mesma, património. Preferimos partilhá-la como o que é: uma crença bela, plausível, ainda não verificada.


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