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Gastronomia com Raízes: Amêndoa e Azeite do Douro Superior

Amêndoa
Há uma imagem que resume Torre de Moncorvo: uma tigela de amêndoas cobertas, feitas à mão numa loja do centro, ao lado de uma garrafa de azeite virgem extra recém-engarrafado. Duas colheitas do mesmo território, dois produtos que atravessam gerações — e que juntos, à mesa, contam a história de uma terra que vive do olival e da amendoeira.

Amêndoa e azeite: a dupla que define o Douro Superior


Se há uma região onde estes dois produtos se cruzam com naturalidade, é o Douro Superior — o triângulo entre Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa e Freixo de Espada à Cinta, onde as encostas alternam entre oliveiras centenárias e amendoeiras que, na primavera, cobrem a paisagem de branco.


Moncorvo é, sem exagero, um reino de oliveiras — mas é também a capital histórica da amêndoa em Trás-os-Montes. As amêndoas cobertas, feitas à mão em receitas que passam de geração em geração, são uma especialidade que poucas terras em Portugal ainda mantêm viva. E o azeite, com Denominação de Origem Protegida, tem nas variedades autóctones — Verdeal Transmontana, Cobrançosa, Madural — o carácter seco e intenso que só este clima consegue dar.


Juntos, azeite e amêndoa não competem: complementam-se. O amargor ligeiro do azeite novo equilibra o doce da amêndoa torrada; a textura crocante entra em pratos salgados tanto quanto em sobremesas. É essa combinação — simples, sem artifícios — que faz da gastronomia do Douro Superior uma das mais autênticas de Portugal.


Onde provar: um lagar que virou restaurante


No centro histórico de Torre de Moncorvo, o Restaurante O Lagar — instalado num antigo lagar de azeite desde 1983 — é o sítio certo para perceber esta ligação. As paredes em pedra e a madeira robusta do telhado ainda contam a história de quando a azeitona era ali transformada; hoje, o espaço serve pratos como o Bacalhau à Lagar e a Posta de Vitela à Lagar, sempre regados com azeite da região.


É um restaurante que funciona como um pequeno museu vivo da cultura oleícola de Moncorvo — e uma paragem que já dura mais de quatro décadas, prova de que aqui a tradição não é nostalgia, é rotina diária. Consulta a nossa lista de restauração para mais sugestões de mesa por todo o território.


Onde os dois se encontram: a loja de Dina Morais


Se procuras o sítio onde amêndoa e azeite se cruzam literalmente na mesma prateleira, é a Arte, Sabor e Douro, em Torre de Moncorvo, mesmo junto à igreja matriz. É lá que Dina Morais faz, à mão, a Amêndoa Coberta de Moncorvo — a única "cobrideira" certificada com Indicação Geográfica Protegida em toda a região. O processo demora oito dias, quatro horas de manhã e quatro à tarde, numa bacia de cobre, com a amêndoa a ser regada em calda de açúcar até ganhar a casca branca característica. Dina aprendeu a arte há quase duas décadas, com uma cobrideira que já tinha mais de 80 anos — e hoje é ela quem garante que esta tradição, documentada desde o início do século XX, não se perde.


Mas a loja de Dina não vende só amêndoa: tem também queijos, enchidos, compotas e azeite da região, lado a lado nas mesmas prateleiras. É este pequeno detalhe que resume tudo — não é preciso ir a dois sítios diferentes para levar contigo os dois produtos que definem Torre de Moncorvo. Estão os dois na mesma loja, feitos e escolhidos pelas mesmas mãos.


Se quiseres perceber ainda melhor porque é que amêndoa e azeite fazem tanto sentido juntos — do terroir partilhado às tradições como a partidela — já temos um artigo dedicado só a isso: Amêndoa e Azeite: A Dupla Perfeita de Trás-os-Montes e Alto Douro.


Uma dupla para levar contigo


Se estiveres de passagem pelo Douro Superior, a combinação certa é simples: uma tigela de amêndoas cobertas para a viagem, uma garrafa de azeite DOP comprada diretamente a um produtor, e uma refeição num sítio como O Lagar para perceber, à mesa, porque é que este território é tão especial.


Para planear a visita com mais detalhe, o nosso roteiro de 3 dias pelo Douro Superior junta tudo isto — azeite, amêndoa e paisagem — num programa completo. Explora também os produtores de azeite do território ou as experiências de olivoturismo disponíveis. E se não encontrares o que procuras, escreve para info@azeiteanorte.com ou usa o formulário de contacto — ajudamos a construir o teu programa.


O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.


Tags: Douro Superior, Torre de Moncorvo, azeite DOP, amêndoa, gastronomia, Gastronomia com Raízes, restaurantes, olivoturismo, tradição, produto regional

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