Tesouros do Norte: Vilas Boas, o monte que vê 100 quilómetros de Trás-os-Montes
- Azeite a Norte

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Série: Tesouros do Norte #10 · Tempo de leitura: ~5 minutos
Há sítios que nos obrigam a parar, respirar fundo e simplesmente olhar.
O monte de Vilas Boas é um deles.
Sobe-se o escadório devagar, degrau a degrau, até aos 760 metros. E quando se chega ao cimo do monte de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas, o horizonte abre-se de uma só vez: num raio de cem quilómetros, avistam-se o Parque Natural de Montesinho, Mirandela, a serra de Bornes e, lá ao longe, já em Espanha, a Sanabria.

Aos pés, os olivais de Vila Flor descem pelas encostas, entremeados de vinhas e amendoais. Ao fim da tarde, quando o sol se põe e pinta tudo de laranja e ouro, percebe-se porque é que este monte foi, desde sempre, um lugar para olhar.
O nome diz tudo — “vilas boas” em terra boa
Vilas Boas, hoje aldeia do concelho de Vila Flor, carrega a sua história no próprio nome. Segundo a tradição, os romanos assim a batizaram pela quantidade das suas “villae” — as unidades agrárias de então — e por serem “boas”, porque as terras eram férteis.
No monte de Nossa Senhora da Assunção guardam-se ainda vestígios de um castro, habitado por povos anteriores aos romanos e mais tarde adaptado por eles. Foi terra com tanta importância que chegou a constituir município próprio.
E é essa mesma terra boa que, séculos depois, continua a dar um dos melhores azeites do país. Não é por acaso que Vila Flor é muitas vezes chamada a capital portuguesa do azeite: aqui, o olival de sequeiro cobre encostas e vales, e as variedades autóctones — Verdeal Transmontana, Cobrançosa, Madural — dão ao azeite desta zona um carácter que não se encontra em mais lado nenhum.
Um monte que sempre se olhou — do castro ao santuário
Se os povos antigos escolheram este alto como ponto de vigília — dali se via chegar tudo e todos —, os séculos seguintes fizeram dele um lugar de fé.
O Santuário de Nossa Senhora da Assunção, com a sua igreja principal e várias capelas dispostas pelo monte, é considerado o maior santuário mariano de Trás-os-Montes. O seu escadório monumental conduz a bancos de madeira tosca e a pontos de observação únicos sobre a região.
A grande Romaria de Nossa Senhora da Assunção, a 14 e 15 de agosto, é uma das maiores do Nordeste — e enche o monte de gente, de mesa e de memória.
E porque estamos no coração do Vale do Tua, o monte que de dia olha para longe, de noite olha para cima: Vila Flor integra o Dark Sky® Vale do Tua, a primeira área protegida de Portugal com certificação Starlight. Do castro ao santuário, do miradouro às estrelas — Vilas Boas é, há milhares de anos, o sítio de onde se olha o mundo.
A aldeia em pedra
Lá em baixo, a aldeia recompensa quem anda devagar. A Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena, do século XVIII, combina o barroco com um friso manuelino escondido nas traseiras da sacristia.
Na praça, o pelourinho — monumento classificado —, uma pequena igreja e uma fonte marcam o coração do povoado, ladeado por solares brasonados que contam a antiga prosperidade da terra.
E, como em toda a Terra Quente, a mesa é assunto sério: as alheiras e as tradições das vindimas continuam vivas, sempre com o azeite da casa a temperar tudo.
O azeite entre os montes — olivoturismo em Vila Flor
Do alto do santuário, vê-se, melhor do que em qualquer mapa, como o olivoturismo nasce da paisagem: os olivais desenham as encostas, muitas vezes lado a lado com vinhas e amendoais. Uma boa forma de descer a esse detalhe é o trilho entre Vilarinho das Azenhas e Ribeirinha — cerca de três quilómetros pela antiga Linha do Tua, por entre olivais e vinhas.
Depois, procure quem faz o azeite: uma visita a um olival e a um lagar, com prova comentada, fecha o dia e explica, gole a gole, o que a vista prometia. É o olivoturismo de Trás-os-Montes no seu melhor — paisagem, produtor e produto no mesmo lugar.
Desafia o território
Se, depois de subir a Vilas Boas, quiser completar a experiência com uma prova de azeite no olival, um trilho pela Linha do Tua ou uma noite sob o céu estrelado do Vale do Tua — fale com o produtor mais próximo.
Ou diga-nos: escreva para info@azeiteanorte.com e ajudamos a encontrar a experiência certa.
Explore os roteiros, os produtores, as experiências de olivoturismo e os percursos pedestres do território — e acompanhe os próximos “Tesouros do Norte” no nosso blog.
O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.




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