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Depois de visitares o blog - descobre os olivais, lagares e roteiros que fazem deste lugar um dos mais premiados do Norte de Portugal!

Setembro no Olival: o virar da safra está próximo

A luz muda primeiro. Depois, muda a azeitona.


Olival ao pôr do sol

Setembro chega ao planalto transmontano com um gesto discreto. Não há trovoada de anúncio, não há mudança abrupta de paisagem — há apenas uma nova qualidade da luz.


Ao fim da tarde, a sombra das oliveiras alonga-se em ângulos diferentes sobre a terra ainda quente, o rio Tua devolve ao ar a humidade que a estiagem lhe tinha levado, e nas noites do planalto mirandês volta a ser preciso um casaco fino.


É pequeno, mas está tudo lá — o Verão a inclinar-se, o Outono a espreitar. Setembro no olival é o mês da inversão.

E, como em quase tudo o que envolve olivícolas, é a azeitona que decide o compasso.


Neste momento — talvez enquanto lê estas linhas — está a começar o pintor. É este o nome que damos ao instante em que o fruto, verde-claro há semanas, começa a mostrar as primeiras manchas violáceas, ora nos ombros, ora na coroa. É o sinal de que a safra virou. A azeitona está pronta a decidir-se — e o produtor, também.


O que se passa dentro do fruto

Ao contrário do que muitos julgam, o azeite não estava lá o Verão inteiro.


Durante Julho e Agosto, a azeitona endurece o caroço e, sobretudo, empola — expande o mesocarpo, prepara a estrutura.

Só quando essa arquitetura fica pronta é que a lipogénese acelera. O azeite forma-se, na verdade, sobretudo no fim do Verão e ao longo do Outono, à medida que os dias encurtam e as noites arrefecem.

Setembro é o pico dessa acumulação. Cada dia que passa é gordura nova depositada no fruto.

Azeinoa madura

É por isso que este mês é decisivo. Colher demasiado cedo é colher menos, é colher

potencial. Colher demasiado tarde é perder frescura aromática, é perder polifenóis, é ver o fruto cair antes da rede. O produtor transmontano vive setembro em vigília — não já a vigília da mosca-da-azeitona, essa continua, mas uma outra, mais silenciosa: a de olhar todos os dias para o mesmo ramo e decidir. "Ainda não. Ainda não."


O virar da cor — e a decisão do produtor

Nas variedades autóctones que dão identidade ao azeite de Trás-os-Montes — Cobrançosa, Verdeal Transmontana, Madural, Cordovil, Negrinha do Freixo — o pintor não chega ao mesmo tempo, nem se expressa da mesma forma.


A Verdeal, como o nome antecipa, resiste em verde. A Negrinha assume o negro cedo, quase com pressa. A Cobrançosa oscila entre o violeta e o vinho tinto. Andar por um olival misto de Trás-os-Montes em setembro é andar dentro de uma paleta viva, em que cada oliveira responde ao seu próprio calendário.


Esta pluralidade explica em parte o caráter dos nossos azeites. Colher no início do pintor significa apostar num azeite mais aromático, marcado por notas verdes — folha, tomate, alcachofra — e com o amargo e o picante próprios de um perfil rico em polifenóis.

Colher mais tarde, com o fruto já a caminho da maturação plena, é ir buscar suavidade, doçura, uma dourada mais serena. Ambos os caminhos são legítimos; ambos exigem convicção. O que Trás-os-Montes tem feito, ano após ano, é escolher com coragem — e é essa escolha que os prémios internacionais têm vindo a distinguir.


Nos lagares, começa a preparação


Lagar de azeite

Se o olival é o palco silencioso do virar da safra, o lagar é a coxia onde tudo se prepara.


Neste momento, em toda a região, os operadores estão a fazer a limpeza profunda das linhas de extração, a calibrar termómetros, a testar centrífugas, a substituir borrachas, a rever software das linhas contínuas. É um trabalho invisível para o visitante, mas absolutamente decisivo — porque não há azeite excelente sem lagar impecável.


Um resto da campanha anterior num decanter é suficiente para arruinar as primeiras horas de uma nova safra.


Alguns lagares mais precoces do território começarão a moer no final de setembro, se as temperaturas continuarem a descer no ritmo previsto. Outros esperam pela primeira semana de outubro. É esta a janela em que se abrem, todos os anos, as inscrições para as experiências participativas de colheita — a chamada Harvest Experience, um dos capítulos mais procurados do olivoturismo em Trás-os-Montes. Setembro é, para muitos visitantes, o mês em que se decide fazer parte da colheita que se aproxima.


Setembro para quem visita — o melhor mês do ano no território e no olival

Se lhe posso dar um único conselho de viagem para o Norte de Portugal, é este: escolha setembro. As temperaturas do dia são generosas, mas já não são punitivas — anda-se de casaco fino, prova-se vinho e azeite sem urgência de sombra, sobe-se ao Miradouro do Carrascalinho, em Torre de Moncorvo, sem o desconforto de agosto.

Passeio no olival

O turismo de massas retirou-se.

O alojamento respira.

A luz, essa, é de outro planeta — dourada, baixa, longa, cinematográfica.

E os produtores, aliviados do calor extremo e ainda antes do frenesim da colheita, têm tempo para conversar.

Tempo verdadeiro.


É também o mês em que, no Douro Superior — o território dos oito municípios da Associação de Municípios do Douro Superior, dos quais seis pertencem à rede Azeite a Norte —, se cruzam dois calendários agrícolas emblemáticos: a vindima e o virar do olival.


Em Vila Nova de Foz Côa, em Freixo de Espada à Cinta, em Torre de Moncorvo, em Carrazeda de Ansiães, as vinhas estão a esvaziar-se e os lagares ainda guardam o cheiro do mosto quente da colheita anterior.

Aqui, nas quintas da rede Azeite a Norte, o mesmo terraço vê o Douro e o olival — a vinha e a oliveira partilham socalco, sombra e horizonte. O olivoturismo em Trás-os-Montes é olival, mas é sempre também paisagem, história, gastronomia, vinho, silêncio.


Onde estar em setembro — algumas âncoras

Se procura um pretexto, aqui ficam três: o «Vinho Sabor Douro», em Torre de Moncorvo, com o casamento óbvio entre a Amêndoa e o Douro Superior; a «Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite», em Alfândega da Fé, onde já se prova o azeite que se aproxima; e um dos itinerários mais pedidos — os Passadiços de São Mamede, no Vale do Tua, com os ombros já cansados de verão, mas ainda com força para uma tarde inteira de caminho.


Três experiências para reservar já

Setembro é o mês em que os melhores lugares para viver a colheita se enchem.

Se está a pensar vir participar numa Harvest Experience, é agora que se reserva.


Deixamos-lhe três sugestões da rede Azeite a Norte, escolhidas pela sua diversidade — para que encontre aquela que fala consigo:

  • Quinta Acushla, em Alfândega da Fé — Premium Tour com prova comentada, para quem quer entender o azeite pelo detalhe. Colheita participativa em outubro; reservas de setembro têm prioridade.

  • Casa de Campo dos Távoras, em Mirandela — a experiência «Do olival ao lagar» em pequenos grupos, com pernoita e jantar transmontano onde o azeite é rei. Ideal para casais e grupos MICE de pequena dimensão.

  • Lagar comunitário ao ar livre de Cortiços, em Macedo de Cavaleiros — não uma experiência de colheita, mas uma visita guiada ao único lagar comunitário ao ar livre ainda visível no país. Uma aula sobre o que era o olivoturismo antes de o termo existir.


Setembro é também, este ano, o mês em que abrimos formalmente a proposta MICE do Azeite a Norte — programas curtos de team building no olival, à medida de equipas em regresso ao trabalho. Se está a planear um encontro corporativo para o outono, escreva-nos: há programas prontos e produtores prontos para os receber.


O convite


Núcleo Museológico Solar de Cortiços

A azeitona não pede opinião. Vira ou não vira. Amadurece, ou não amadurece. O produtor observa, calcula, decide.

O olivoturista faz o inverso do produtor:

  • Em vez de esperar pelo fruto, adianta-se.

  • Reserva agora o outubro que quer viver.

  • Marca a viagem que quer que aconteça.

  • Escolhe o lagar em que quer estar quando as primeiras azeitonas começarem a cair na rede — porque esse dia, esse dia exato, chega uma vez por ano e nunca pede autorização.


Se ainda não decidiu, mas quer decidir bem, desafie o seu produtor.

Escreva-nos para info@azeiteanorte.com com o perfil de quem viaja consigo e a data em que gostaria de estar em Trás-os-Montes.

Cruzamos com a nossa rede de 17 municípios e 33 experiências certificadas, e voltamos com propostas.


Não encontra o que procura na oferta atual? Diga-nos. É assim que se desenha um olivoturismo à medida do território — e à medida de quem o quer descobrir.


O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.

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