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Agosto no Olival: empolamento e vigília

O mês mais quente do ano é, também, aquele em que a azeitona faz o seu trabalho mais silencioso.


Agosto instala-se sobre Trás-os-Montes com a autoridade do calor. O ar treme sobre os olivais, as cigarras não se calam e a terra, seca e rachada, guarda a sua sede para as raízes fundas das oliveiras centenárias. Depois de julho ter moldado o fruto com o seu calor, chega o mês em que, sem alarido, se decide grande parte da colheita que virá.


O fruto ganha corpo — o empolamento



A azeitona verde na oliveira

A azeitona é uma drupa que surge a partir de junho e só amadurece em outubro-novembro (Florestas.pt). Entre um momento e outro, passa por fases muito distintas. Depois do vingamento, no início do verão, o caroço — o endocarpo — endurece e lenhifica, algures em julho. É então que se abre a fase que dá nome a este mês: o empolamento. A polpa, o mesocarpo, expande-se, a azeitona ganha corpo e calibre — e, no seu interior, começa a formar-se, gota a gota, o azeite.


É uma fase decisiva e delicada. A água disponível agora condiciona diretamente o calibre final da azeitona e o teor de azeite que ela há de dar. E o calor extremo cobra o seu preço: acima dos 35°C, o crescimento do fruto abranda. Nos dias de 40°C da Terra Quente, a oliveira defende-se — fecha os estômatos das folhas e espera, poupando água. São as oliveiras centenárias de sequeiro, de raízes profundas, as que melhor resistem a este assar do verão. Não é por acaso que são o ativo mais valioso do território.


A vigília — o olhar atento de quem cuida


Agosto é, por tudo isto, um mês de vigília. E não apenas por causa do calor. A partir do endurecimento do caroço, a azeitona torna-se recetiva à mosca-da-azeitona (Bactrocera oleae), a principal praga da oliveira em Portugal. A fêmea coloca um ovo por fruto, sob a epiderme; a larva eclode e alimenta-se da polpa, escavando uma galeria no interior da azeitona, como alerta a Estação de Avisos Agrícolas da Terra Quente.

Olival depois de ataque da mosca da azeitona

Para o azeite, os prejuízos são quantitativos — queda prematura dos frutos — e qualitativos — aumento da acidez. Por isso o olivicultor vigia: instala armadilhas amarelas com feromonas e observa os frutos semana a semana, para decidir se e quando intervir.


Há variedades mais expostas, como a Verdeal Transmontana, e outras que resistem um pouco melhor, como a Cobrançosa.


Não é um trabalho barulhento: é vigilância paciente, o olho que percorre o olival e aprende a ler os seus sinais.


O olival de agosto e o olivoturismo


Para quem visita, agosto revela uma face menos óbvia do azeite. Não a da colheita de outono, cheia de gente e de cheiro a lagar, mas a de um território em tensão silenciosa: o fruto ainda verde a ganhar corpo, o produtor atento, a paisagem a resistir ao calor.


O olivoturismo em Trás-os-Montes também é isto — compreender o tempo lento da oliveira. E porque agosto é quente, o convite faz-se ao fim da tarde, quando a luz amansa: um passeio pelos olivais centenários, uma conversa com quem os cuida, uma prova de um azeite da casa. Vale a viagem.

 

Agosto é promessa. O fruto ainda é verde e amargo, mas dentro dele forma-se já o azeite que em outubro há de correr nos lagares — e que será tema do próximo capítulo desta série, quando o verão virar a safra. Vigiar agora é garantir depois.


Acompanhe o ciclo no nosso blog, visite os olivais e desafie o seu produtor de azeite. Não encontra o que procura? Diga-nos — escreva para info@azeiteanorte.com.


O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.

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