Incêndios em Mirandela e Valpaços destroem olivais e vinhas — e deixam cicatrizes que demoram anos a sarar
- Azeite a Norte Blog

- há 17 horas
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Há notícias que se escrevem com peso. Esta é uma delas.
Os incêndios que tiveram origem no concelho de Valpaços — o mesmo território que há poucos meses era distinguido como a Melhor Cidade Biológica da Europa — alastraram até Mirandela e destruíram o que muitos produtores levaram uma vida a construir: olivais centenários, vinhas cuidadas ano a ano, feno para o gado, paisagem que é também identidade e rendimento. (Fonte: Rádio Regional / Lusa, 3 agosto 2026)
As perdas, em números e em nomes
Luís Palas, Fradizela
Agricultor em Fradizela, Luís Palas viu arder cerca de cinco hectares de vinha e cinco hectares de olival. Para além das culturas, perdeu 50 fardos de feno — seis meses de alimentação para as suas 14 ovelhas — consumidos pelo fogo. O lameiro que sobrou garantirá alimento por pouco mais de um mês.
No olival, a esperança de recuperação existe — mas é lenta e incerta. A capacidade das oliveiras sobreviverem depende do estado dos troncos, e essa avaliação só será possível em setembro ou outubro. Até lá, a incerteza. (Fonte: Rádio Regional / Lusa)
Sónia Casado, Aguieiras — produtora do vinho "Maria Gins"
Em Aguieiras, Sónia Casado perdeu um hectare de vinha, o equivalente a cerca de 10 mil quilos de uva. No olival, quatro dos sete a oito hectares foram atingidos — uma estimativa de 70% de perda na produção das áreas ardidas para este ano. E ainda existe o receio de que mais sete hectares de vinha estejam em perigo, ameaçados por um novo foco em Rebordelo, no concelho de Vinhais. (Fonte: Rádio Regional / Lusa)
O que arde não é só a colheita deste ano
Um olival centenário não se replanta em tempo útil. Uma vinha que leva décadas a atingir o seu potencial máximo não se substitui em dois ou três anos. As perdas reportadas por estes produtores não são apenas as da campanha de 2026 — são perdas que se prolongarão durante anos, em produtividade reduzida, em recuperação incerta, em investimento que terá de ser refeito.
É também por isso que os incêndios rurais são, para o Azeite a Norte, uma ameaça que não se mede apenas em hectares ardidos. Cada olival tradicional de sequeiro que arde em Trás-os-Montes é paisagem, é identidade, é um modelo agrícola de resiliência que demora gerações a construir — e horas a destruir.
O que pode fazer
O Azeite a Norte não tem respostas fáceis para dar. Mas tem uma convicção: a melhor forma de apoiar os produtores que resistem — os que sobreviveram a este fogo, os que ainda estão de pé noutros olivais do Norte — é continuar a escolhê-los. Comprar o seu azeite. Visitar o seu lagar. Contar a sua história.
Neste momento difícil, manifestamos toda a nossa solidariedade a todos os produtores afetados pelos incêndios de Valpaços e Mirandela.
👉 Fonte: Rádio Regional / Lusa — "Trás-os-Montes: produtores de vinho e azeite de Mirandela com perdas avultadas", 3 de agosto de 2026
👉 Explore os nossos produtores e roteiros de olivoturismo em Trás-os-Montes e Alto Douro — e escolha o azeite que ajuda a manter este território vivo.
Fonte: Rádio Regional / Lusa, 3 de agosto de 2026.




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