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Perseidas e eclipse solar em Trás-os-Montes: o guia de astroturismo de agosto de 2026

O céu de agosto vai abrir-se sobre os olivais. E, este ano, com uma raridade que só volta daqui a mais de um século.


Imagine o fim de uma tarde de agosto. O calor do dia começa a ceder e a luz dourada estende-se sobre os olivais centenários e o Parque Natural de Montesinho. Então, algo estranho acontece: a luz esmorece a horas erradas, a temperatura desce, os pássaros calam-se e recolhem-se como se a noite tivesse chegado cedo de mais. Durante alguns segundos, o dia faz-se noite — e a coroa do Sol acende-se, prateada, à volta de um disco negro.


Eclipse solar ao fim do dia.

É o eclipse solar total de 12 de agosto de 2026. E o nordeste de Trás-os-Montes é o único lugar de Portugal continental onde o poderá viver na totalidade.


Nas noites que se seguem, o mesmo território devolve o céu de outra forma: as Perseidas, a mais famosa chuva de estrelas do ano, a riscar a escuridão sem qualquer luar a atrapalhar. Um só destino, o espetáculo inteiro — de dia, o olivoturismo; de noite, o universo.


Porque é que 2026 é um ano irrepetível


Há anos em que o céu se limita a acompanhar a viagem. Em agosto de 2026, é ele o motivo da viagem. Junta-se aqui um conjunto de acontecimentos que dificilmente se repetirá numa vida:

  • O eclipse total. É o primeiro eclipse total do Sol visível em Portugal desde 1912 — e o próximo só regressa em 2144. Não é exagero chamar-lhe o eclipse de uma vida.

  • O pico das Perseidas. A chuva de estrelas atinge o máximo na mesma noite, de 12 para 13 de agosto, com até cerca de cem meteoros por hora sob céu escuro — e, em 2026, com um trunfo raro: a Lua Nova, ou seja, sem luar a apagar as estrelas cadentes.

  • Um alinhamento de planetas. Como bónus, na madrugada de 12 vários planetas alinham-se no céu — matéria para quem trouxer binóculos e vontade de ficar acordado.


Não é um instante: são vários dias de céu. E é essa a melhor razão para não vir só de passagem — mas para estender a estadia e deixar o território revelar-se com calma.


12 de agosto — o dia do eclipse


A faixa de totalidade — a estreita nesga onde a Lua tapa o Sol por completo — atravessa o Árctico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha, e em Portugal continental toca apenas o nordeste transmontano.

Concretamente, passa por uma língua muito estreita entre as aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no concelho de Bragança, dentro do Parque Natural de Montesinho. Aí, o dia escurece por completo durante cerca de vinte e seis segundos.


A cidade de Bragança fica a um passo da faixa: atinge cerca de 99,9% de obscurecimento — quase, quase a totalidade — e é a base natural para estes dias, com alojamento, restauração e o programa oficial de observação.


O máximo dá-se ao fim da tarde, por volta das 19h30, com o Sol muito baixo no horizonte: convém escolher um ponto com vista desafogada para poente. No resto do país o eclipse é parcial, mas impressionante — cerca de 98% no Porto e 94% em Lisboa.


Segurança primeiro. Olhar para o Sol sem proteção adequada pode causar lesões graves e permanentes. São necessários óculos de eclipse certificados (norma ISO 12312-2) — os óculos de sol comuns não servem.

O programa nacional é coordenado pela Ciência Viva e pelo Instituto de Astrofísica; consulte eclipse2026.pt para pontos de observação e recomendações oficiais.

Para montar o dia à volta do eclipse, o roteiro Bragança: Capital do Nordeste, Terra de Azeite e o Do Castelo ao Montesinho levam-no às aldeias de pedra, aos miradouros e aos olivais da serra. Ao jantar, a cozinha transmontana faz o resto — do porco bísaro ao cabrito de Montesinho, sempre com um fio de azeite virgem extra da região a fechar o prato.


As noites das Perseidas — olivoturismo debaixo das estrelas


Se o eclipse é o acontecimento do dia 12, as Perseidas são o convite para ficar.

E para as ver bem, é preciso céu escuro a sério — e disso Trás-os-Montes tem de sobra.



O Dark Sky® Vale do Tua foi, em 2020, a primeira área protegida de Portugal a receber a certificação Starlight, que atesta oficialmente a qualidade do céu noturno. Abrange cinco concelhos do território: Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor.


Uma boa base para observar é a Casa de Campo dos Távoras, em Mirandela, alojamento com o selo Tourist Destination Starlight do Dark Sky® Vale do Tua. É também quem organiza a experiência de astroturismo Starry Sky na Terra Quente Transmontana: almoço transmontano, um brinde ao pôr-do-sol na golden hour e observação do céu nocturno acompanhada de um piquenique preparado a preceito. Reserve com uma semana de antecedência.


Como ver as Perseidas: escolha um local afastado das luzes, deite-se de costas e dê aos olhos uns vinte minutos para se habituarem ao escuro (e guarde o telemóvel). Não precisa de telescópio nem de binóculos — os meteoros podem surgir em qualquer parte do céu. A melhor altura é depois da meia-noite, rumo à madrugada. Para preparar a saída, o nosso guia de astroturismo em Trás-os-Montes e Alto Douro reúne o essencial.


Olivoturismo de dia — o azeite entre dois céus


De dia, o território volta ao seu elemento: os olivais centenários em sequeiro e os lagares onde nasce o azeite. Uma visita a um olival e a um lagar, com prova comentada, é a forma mais direta de perceber porque é que este é um azeite diferente — dos monovarietais às variedades autóctones como a Cobrançosa, a Madural, a Verdeal Transmontana e a Santulhana, esta última endémica.


É o olivoturismo a fazer a ponte entre a paisagem e o prato, entre o produtor e quem visita.


Um conselho prático de agosto: a Terra Quente transmontana honra o nome, e o calor do meio-dia é para respeitar. Deixe o olivoturismo para o início da manhã ou para o entardecer — precisamente as horas de luz mais bonita —, hidrate-se bem e guarde as horas de maior calor para a sombra e para a mesa. A magia, afinal, acontece ao fim do dia e pela noite dentro.

Como planear vários dias para o eclipse solar 2026


O território divide-se, para estes dias, em dois palcos: o nordeste (Bragança e Montesinho, para o eclipse do dia 12) e o Vale do Tua (para as noites de Perseidas em céu certificado). Entre um e outro contam-se cerca de uma hora a hora e meia de carro — e o carro próprio é mesmo a melhor forma de circular no território.


Sugestão de sequência:

  • Dia 11 — chegada e primeira noite de Perseidas no Vale do Tua, para aquecer o olhar;

  • Dia 12 — subida ao nordeste, olivoturismo de manhã, eclipse ao fim da tarde a partir de Bragança/Montesinho;

  • Noite de 12 para 13 — o pico das Perseidas, sob o céu escuro da serra;

  • Dias seguintes — provas de azeite, aldeias, passadiços e o ritmo lento do território.


Um aviso amigo: as noites de 11 e 12 de agosto esgotaram cedo em muitos locais de toda a região. Reserve alojamento e experiências com antecedência. Veja mais roteiros e experiências para desenhar os seus dias.

 

Para o eclipse tem toda a informação em eclipse2026.pt (site da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.


Ainda podes encontrar mais recursos neste site, como, por exemplo:

 

Desafie o seu produtor de azeite favorito a abrir as portas ao fim da tarde e a coroar a visita com uma prova ao entardecer.

Não encontra o que procura? Diga-nos — escreva para info@azeiteanorte.com e ajudamos a montar a sua viagem pelo céu e pelo azeite de Trás-os-Montes.

 

O azeite de Trás-os-Montes não se explica. Prova-se.

 

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