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A Festa da Velha de Miranda do Douro é Património Cultural Imaterial — e é a melhor razão para passar o Ano Novo em Trás-os-Montes

há 6 horas
3 min de leitura

Festa da Velha

Há territórios que guardam tradições que o mundo já esqueceu. Trás-os-Montes é um deles — e Miranda do Douro, em particular, tem sabido preservar um conjunto de rituais do solstício de inverno que não existem em mais lado nenhum.


O mais recente reconhecimento chega a 16 de setembro de 2026, publicado em Diário da República: a Festa do Menino de Vila Chã de Braciosa foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em regime de Salvaguarda Urgente. (Fonte: Diário da República, 16 setembro 2026; Jornal Nordeste)


O que é a Festa da Velha — e porque acontece a 1 de janeiro


A Festa do Menino — também conhecida como Festa da Velha, Festa do Ano Novo ou Festa de Braciosa — é um ritual de origem pagã que se realiza no primeiro dia de cada ano, na aldeia de Vila Chã de Braciosa, no concelho de Miranda do Douro.


Logo pela manhã, três figuras percorrem as ruas da aldeia: a Velha, o Bailador e a Bailadeira — todos com o rosto tisnado com cortiça negra, dançando ao som da gaita de foles, do bombo e da caixa. De casa em casa, saudando os moradores, recebendo donativos — tradicionalmente dinheiro ou produtos de fumeiro, transportados na vara da Velha. A ronda termina antes da missa solene ao meio-dia. Depois, no largo da igreja, a grande fogueira, o bailarico e o convívio que se prolonga pela tarde e pela noite. (Fonte: Jornal Nordeste; Diário de Trás-os-Montes)


Uma festa que começa onde acaba o ano. E que começa de casa em casa.


Por que é que este reconhecimento importa — e urge


A inscrição em regime de Salvaguarda Urgente não é uma formalidade. É um sinal de alerta: o Diário da República é explícito ao identificar "elevados riscos e ameaças à continuidade" desta manifestação, e a urgência de medidas que "garantam a viabilidade futura" do ritual. (Fonte: Diário da República, 8 setembro 2026)


A Festa do Menino esteve muitos anos parada — e foi recuperada há cerca de uma década pela própria comunidade de Vila Chã de Braciosa, com orgulho e determinação. Como sublinhou a presidente do município, Helena Barril, "são as gerações mais novas que, através do contágio deixado pelos antepassados, vão garantir que este ritual nunca seja esquecido." (Fonte: Diário de Trás-os-Montes / Lusa)


A autarquia planeia agora um conjunto de medidas de salvaguarda: divulgação nacional e internacional, participação em festivais de mascarados do solstício de inverno e de folclore, e transmissão às gerações mais jovens.


E há mais em caminho: os processos de inscrição da Festa de Santa Luzia, em São Pedro da Silva, e da Festa de Constantim — dois outros rituais do solstício de inverno da Terra de Miranda — encontram-se ainda em apreciação. (Fonte: Jornal Nordeste)


Trás-os-Montes tem camadas — e este é o Ano Novo que não vai esquecer


Para o Azeite a Norte, esta notícia é mais do que cultural. É territorial.


Miranda do Douro é um dos concelhos onde o olivoturismo e a herança cultural se cruzam de forma única: a paisagem de xisto, o planalto mirandês, a língua mirandesa, os Pauliteiros, os rituais do solstício — e os olivais que, em silêncio, produzem azeite que o mundo cada vez mais reconhece.


Passar o Ano Novo em Miranda do Douro significa começar o dia a 1 de janeiro a ver a Velha, o Bailador e a Bailadeira percorrem a aldeia ao som da gaita de foles. Significa provar fumeiro que pode ser exactamente o tipo que é oferecido como donativo nesta festa. Significa terminar o dia junto a uma fogueira num largo de aldeia transmontana.

Há poucas experiências de Ano Novo em Portugal que se comparem a isto — em autenticidade, em memória, em presença.


👉 Explore os nossos roteiros em Miranda do Douro e Trás-os-Montes e comece já a planear o Ano Novo mais diferente da sua vida.


Fontes:



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