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CIM das Terras de Trás-os-Montes é a primeira comunidade intermunicipal do país com Plano de Ação Climática

Clima

A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) apresentou, a 14 de julho, na albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, o primeiro Plano de Acção Climática intermunicipal de Portugal — uma iniciativa pioneira que coloca os nove municípios do nordeste transmontano na linha da frente da resposta territorial às alterações climáticas.


O plano, financiado pelo programa NORTE 2030 com um investimento de 370 mil euros, está dividido em dois eixos: mitigação — focada na redução do consumo de combustíveis fósseis e na transição para alternativas energéticas mais limpas — e adaptação, centrada na gestão sustentável da água e na prevenção de incêndios rurais.


Pedro Lima, presidente da CIM-TTM, sublinhou que "são os nossos comportamentos que têm de mudar para nos adaptarmos às alterações climáticas", destacando a necessidade de sensibilizar as comunidades, os empresários e as escolas para práticas mais sustentáveis. O plano prevê acções concretas de debate e consciencialização junto de alunos e empresários agrícolas, reconhecendo que a mudança de mentalidades é tão importante quanto o investimento em infraestruturas.


O estudo que fundamenta o plano concluiu que, embora a região não seja grande emissora de gases com efeito de estufa em comparação com os grandes centros urbanos, as principais fontes de emissão estão ligadas ao sector dos transportes e à agricultura — nomeadamente ao uso de maquinaria movida a combustíveis fósseis. Entre as soluções propostas está a transição para mobilidade eléctrica, o incentivo à mobilidade activa, a instalação de painéis fotovoltaicos em edifícios agrícolas e a adopção de maquinaria com melhor classe energética.


No eixo da adaptação, o plano reconhece a necessidade de repensar as culturas agrícolas face ao novo cenário climático — um ponto particularmente relevante para a olivicultura transmontana. O olival tradicional de sequeiro, dominante em Trás-os-Montes e Alto Douro, é por natureza um modelo de resiliência climática: oliveiras centenárias que sobrevivem sem irrigação, adaptadas a verões secos e invernos rigorosos, representam exactamente o tipo de agricultura resiliente que o plano procura promover. A preservação e valorização destes olivais — que são também o principal activo do olivoturismo na região — é, simultaneamente, uma estratégia de adaptação climática e de desenvolvimento económico sustentável.


A CCDR-N, através da vice-presidente Gabriela Leite, revelou que a Comissão de Coordenação lançou, na semana anterior, um Plano Regional de Acção Climática que integra e articula os planos municipais e intermunicipais — reforçando que a acção climática no Norte de Portugal está a ganhar uma dimensão territorial e estratégica.


O Azeite a Norte reconhece nesta iniciativa um alinhamento natural com os objectivos do projecto de olivoturismo que desenvolve nos 17 municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro. A formação que a ANa está a estruturar com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) — um programa de 50 horas que qualifica operadores turísticos, produtores e guias locais — partilha o mesmo espírito de capacitação territorial e de preparação das comunidades para os desafios que o futuro coloca a esta região.


Fonte: Lusa / Agroportal, 14 de julho de 2026.


 

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