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Óleo vendido como azeite nas redes sociais: ASAE apreende 10.000 litros em operação nacional

Há uma razão pela qual o bom azeite custa o que custa. E há uma razão pela qual vale cada cêntimo.


A notícia que chegou esta semana deveria servir de alerta para todos os que compram azeite online sem saber exatamente o que estão a colocar na mesa.


ASAE deteta fraude: 10.000 litros de óleo vendido como azeite virgem


A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou uma operação de prevenção criminal nos arredores de Moimenta da Beira, no distrito de Viseu, que confirmou a venda fraudulenta de óleo alimentar comum rotulado e comercializado como azeite virgem através das redes sociais. (Fonte: Comunicado ASAE, 5 de março de 2026)


A operação, que envolveu 13 mandados de busca — domiciliários e não domiciliários —, resultou na apreensão de cerca de 10.000 litros de óleo alimentar fraudulentamente rotulado, milhares de rótulos e material de embalamento com a indicação "azeite virgem", além de 340 litros de vinho licoroso sem registo legal, quatro armas de fogo e 200 mil euros em numerário que os suspeitos tentaram esconder em silvas nos terrenos adjacentes durante a ação. Três suspeitos foram constituídos arguidos. (Fonte: Comunicado ASAE; Jornal de Negócios)


Como é que isto acontece — e porque importa saber


Azeite ou Óleo

O mercado do azeite é um dos mais visados pela fraude alimentar em toda a Europa. Quando o preço de uma garrafa de azeite virgem extra de qualidade reflecte colheita manual, variedades autóctones, análise sensorial e rastreabilidade total, o consumidor que procura "azeite virgem a 3 euros" nas redes sociais está, quase sempre, a comprar outra coisa.


A própria ASAE alerta: fique atento a ofertas de azeite com preços abaixo do expectável, que possam resultar na comercialização de outras substâncias oleicas em lugar de azeite. (Fonte: Comunicado ASAE, 5 de março de 2026)


Este não é um caso isolado. O Tribunal de Contas Europeu identificou, em relatório recente, lacunas nos sistemas de controlo de qualidade do azeite em vários Estados-Membros, incluindo dificuldades de rastreabilidade em azeites de origem mista e falhas nos controlos de vendas online.


Como comprar azeite com garantia de autenticidade


Sinais de que está a comprar azeite genuíno


Para consumidores e turistas que queiram ter a certeza do que levam para casa, estes são os critérios que nunca falham:


  • DOP ou IGP: uma denominação de origem protegida é a primeira garantia de território e método

  • Produtor identificado: nome, morada e contacto no rótulo — não apenas uma marca genérica

  • Data de colheita: não apenas validade — saber quando foi produzido é essencial

  • Preço realista: azeite virgem extra de qualidade raramente custa menos de 8 a 10€/litro

  • Canal de venda transparente: lojas físicas, cooperativas, produtores certificados ou plataformas com rastreabilidade verificável


O poder de comprar na origem


Não há forma mais segura — nem mais rica — de garantir a autenticidade do azeite do que visitá-lo onde nasce. Em Trás-os-Montes e Alto Douro, os produtores parceiros do Azeite a Norte trabalham com variedades autóctones, com processos auditados e, agora em alguns casos, com rastreabilidade digital que permite ao consumidor conhecer o percurso completo da azeitona até à garrafa.


👉 Explore os nossos Produtores e Roteiros de olivoturismo e saiba onde comprar azeite com a garantia de quem o faz.


A fraude prejudica quem trabalha bem


Cada litro de óleo vendido como azeite é uma afronta a quem, em Trás-os-Montes e Alto Douro, madruga para a apanha, respeita o olival e entrega um produto de excelência comprovada. É também uma traição ao consumidor — e, no caso do turismo gastronómico, uma ameaça à credibilidade de um território.


Escolher bem é, também, um ato de apoio a quem faz bem.


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