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Viajar com Propósito: Natureza e Parques em Trás-os-Montes e Alto Douro

Se há um lugar em Portugal onde ainda é possível ouvir apenas o silêncio — interrompido pelo vento entre castanheiros, pelo canto de uma águia ou pelo som da água num riacho de montanha — esse lugar é Trás-os-Montes e Alto Douro.


Miradouro

Este território do nordeste de Portugal guarda uma das maiores concentrações de natureza protegida do país: três parques naturais, um geoparque mundial da UNESCO e vastas áreas integradas na Rede Natura 2000. Para quem quer viajar com propósito — em contacto real com a natureza, longe do turismo de massas — é um destino que ainda surpreende [1].


E por entre os trilhos e os vales, as oliveiras centenárias que produzem o azeite DOP Trás-os-Montes lembram que aqui a natureza e a cultura sempre andaram de mãos dadas.


O Que Esperar: Natureza Selvagem no Coração de Portugal


Trás-os-Montes e Alto Douro (TMAD) é uma região de contrastes. As terras frias do norte, onde nevam as serras, coexistem com os vales quentes e secos do Douro, onde crescem as amendoeiras, a vinha e o olival. É este contraste de paisagens e climas que torna a biodiversidade aqui tão rica e surpreendente [2].


A região conta com três áreas protegidas de âmbito nacional — o Parque Natural de Montesinho, o Parque Natural do Douro Internacional e o Parque Natural Regional do Vale do Tua — e com o Geoparque Terras de Cavaleiros, reconhecido pela UNESCO em 2015. Todos eles estão interligados por uma rede de trilhos, miradouros e aldeias que tornam cada visita numa descoberta genuína [1,2].


1. Parque Natural de Montesinho — A Terra Fria que Guarda Lobos e Veados


Municípios: Bragança e Vinhais


Com cerca de 75 mil hectares, o Parque Natural de Montesinho é um dos maiores parques naturais de Portugal. Criado em 1979, estende-se pelo norte dos concelhos de Bragança e Vinhais, fazendo fronteira com Espanha — e com a Reserva Natural de Sierra de la Culebra, do lado de lá da raia [3].


A fauna é o que mais surpreende quem vem até aqui. O parque concentra 80% dos mamíferos presentes em Portugal, com uma população de lobo ibérico, veados vermelhos, corços, lontras e javalis [3,4]. O espectáculo da Brama dos Veados, que acontece entre setembro e outubro, é um dos fenómenos naturais mais impressionantes do país — os machos bramir em plena floresta, ao amanhecer, é algo que não se esquece [4].


Os castanheiros são outro ex-libris: o concelho de Bragança é o maior produtor de castanha de Portugal, e os soutos que rodeiam as aldeias do parque vestem-se de ouro no outono [2,3].


O que fazer:

As aldeias de xisto e granito são portas de entrada para a natureza. Rio de Onor é dividida ao meio pela fronteira com Espanha, com o rio homónimo como linha divisória — é um dos lugares mais únicos de Portugal [2,4]. Montesinho tem um Núcleo Interpretativo e um museu numa casa típica transmontana [3]. Gimonde, perto de Bragança, é ponto de partida para vários trilhos sinalizados, incluindo o popular PR4 BGC – Percurso Pedestre de Ornal (8 km, circular), que acompanha a ribeira de Ornal e o rio Baceiro por paisagens de grande beleza [4].


Em Vinhais encontras o Parque Biológico de Vinhais, com recintos de animais autóctones, percursos interpretativos e alojamento em bungalows de madeira ou pods junto a uma piscina biológica [2].


2. Parque Natural do Douro Internacional — O Grand Canyon da Europa


Municípios: Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta


Miradouro Miranda

Se tens um preferência por paisagens dramáticas, o Parque Natural do Douro Internacional vai impressionar-te logo à primeira curva da estrada. As arribas do Douro — escarpaduras verticais que podem atingir centenas de metros — criam uma das paisagens mais dramáticas da Península Ibérica [5].


O parque, criado em 1998, abrange cerca de 87.000 hectares ao longo de 122 km do troço fronteiriço do rio Douro. Na margem espanhola existe o Parque Natural Arribes del Duero, e juntos formam uma das maiores reservas transfronteiriças da Península Ibérica [5,6].


A fauna de rapinas é o ponto alto. Nas escarpas do Douro nidificam o Abutre-do-Egipto (símbolo do parque), o Grifo, a Águia-real, a Águia-de-Bonelli, a Cegonha-preta e o Falcão-peregrino. Para os amantes de birdwatching, este é um dos melhores destinos de observação de aves de rapina em Portugal [5,7].


O que fazer:

O Miradouro do Penedo Durão, perto de Mogadouro, é provavelmente o mais famoso ponto de observação do parque: tem um comedouro de aves de rapina que atrai grifos, abutres-do-Egipto e águias para muito perto dos visitantes [6,8]. O Miradouro do Carrascalinho, nas imediações da aldeia de Fornos, é menos frequentado e oferece uma sensação ainda mais intensa de comunhão com a natureza [6].


A partir do Cais da Congida, em Miranda do Douro, partem barcos panorâmicos pelo Douro Internacional — uma das melhores formas de apreciar as arribas verticais e a fauna que nidifica nas suas paredes. O passeio demora cerca de hora e meia [6].


Miranda do Douro é muito mais do que o ponto de partida para o parque: é uma cidade medieval com catedral do século XVI, o famoso Menino Jesus da Cartolinha, e uma língua própria — o mirandês, reconhecido oficialmente como segunda língua de Portugal desde 1999 [6]. Uma visita ao centro histórico vale bem uma tarde.


Entre fevereiro e março, os campos de amendoeiras em flor transformam a paisagem do planalto mirandês num espectáculo de branco e rosa que atrai fotógrafos de todo o país [6].


3. Geoparque Terras de Cavaleiros — O Umbigo do Mundo


Município: Macedo de Cavaleiros


Há lugares que guardam segredos de 400 milhões de anos. O Geoparque Terras de Cavaleiros é um deles. Reconhecido como Geoparque Mundial da UNESCO em 2015, abrange os 700 km² do concelho de Macedo de Cavaleiros e integra quase na totalidade a Rede Natura 2000 [9,10].


O que torna este território verdadeiramente único é a geologia. Aqui ficam quatro geossítios de relevância internacional — entre os 42 identificados no geoparque — que documentam o choque de continentes anteriores à Pangea e o desaparecimento do oceano Rheic, o "pai" do nosso Atlântico [10,11]. Diz-se, sem exagero, que Macedo de Cavaleiros é um dos "umbigos do mundo" [11].


No Monte de Morais, uma elevação aplanada a 750 metros de altitude, as rochas contam-nos a história de dois continentes antigos que colidiram há centenas de milhões de anos. No Poço dos Paus, na aldeia de Chacim, podem-se tocar rochas iguais às que existem nas profundezas do oceano Atlântico — são monumentos geológicos com placas informativas acessíveis a qualquer visitante [10,11].


O que fazer:

O geoparque tem 24 percursos pedestres sinalizados, com cerca de 200 km de trilhos no total [12]. A Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, entre as Serras da Nogueira e de Bornes, é um dos ex-libris da região: praias fluviais galardoadas, atividades náuticas e uma beleza natural que a National Geographic já incluiu nos seus roteiros de natureza em Portugal [13]. A Praia da Fraga da Pegada é uma das 50 sugestões da edição especial de Viagens da National Geographic [13].


A Estação de Biodiversidade de Santa Combinha permite observar 43 espécies de borboletas diurnas — das 135 que se conhecem em Portugal Continental — num espaço que é tanto educativo como simplesmente belo [12].


Dica Azeite a Norte: Macedo de Cavaleiros é também a casa dos Caretos de Podence — as figuras mascaradas do Carnaval que são Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Mas isso é outra história que já contámos aqui no blog.


4. Parque Natural Regional do Vale do Tua — O Rio que Molda a Paisagem


Municípios: Alijó, Murça, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Mirandela


Rio Tua

O rio Tua nasce da confluência dos rios Rabaçal e Tuela e percorre uma das paisagens mais diversas do nordeste português antes de se lançar no Douro. O Parque Natural Regional do Vale do Tua, criado em 2013, protege cerca de 25.000 hectares ao longo dos cinco concelhos por onde o rio passa [14,15].


Ao contrário dos outros parques de TMAD, o Vale do Tua é uma zona de transição: ao norte, o clima frio da terra transmontana e os carvalhais; ao sul, a influência do Douro, com sobreiros, vinhas e olivais. Em Vila Flor e Carrazeda de Ansiães já se sente a proximidade do Douro Vinhateiro [16].


O que fazer:

O percurso Vilarinho das Azenhas – Ribeirinha, em Vila Flor, é um dos mais planos e verdejantes do vale — uma antiga estrada térrea junto ao rio selvagem e à linha do comboio desactivada, que hoje é um santuário ribeirinho de rara beleza [16,17].

Em Murça, as passarelas de madeira que seguem o rio Tinhela permitem uma caminhada em contacto directo com a natureza: galerias ripícolas de amieiros e salgueiros, águas límpidas onde vive a lontra, e o silêncio quase absoluto de um vale que parece pertencer a outro tempo [16,17].


O Castro de Palheiros, também em Murça, é um miradouro e sítio arqueológico simultaneamente: um promontório proto-histórico com vistas de 360° sobre o vale e as serras de Garraia e Passos [16].


Em Mirandela, a Estação do Tua tem o Centro Interpretativo do Vale do Tua (CIVT), instalado nos antigos armazéns da CP, que conta a história da Linha do Tua, do vale e da barragem com uma abordagem contemporânea e sensível ao território [18].


Dica Azeite a Norte: Os olivais de Murça, Alijó e Mirandela produzem alguns dos azeites DOP Trás-os-Montes mais reconhecidos. O vale do Tua é um convite a descobrir como a água, o sol e a rocha moldam não só a paisagem, mas também o sabor do azeite.


Dicas Práticas para Viajar pelos Parques de TMAD


Como chegar: Carro é essencial — a maioria dos trilhos, aldeias e miradouros não têm transporte público regular. A A4 (Porto–Bragança) é o eixo principal de acesso ao nordeste.


Quando ir: Primavera (março a maio) é a época de eleição — os campos florescem, os rios enchem e a luz é extraordinária. Outono (setembro a novembro) é igualmente espectacular, especialmente no Parque de Montesinho com a Brama dos Veados e a castanha [3,4]. Inverno tem charme próprio, com neve nas serras e amendoeiras em flor no planalto mirandês a partir de fevereiro [6].


O que levar: Calçado de caminhada com bom apoio, camadas de roupa (os contrastes de temperatura são grandes), binóculos para a observação de aves, e água — especialmente nos meses mais quentes.


Natureza e Azeite: Uma Ligação Que Dura Séculos


Não há paisagem de TMAD sem oliveiras. As mesmas serras onde o lobo ibérico caça e o abutre-do-Egipto planeia são bordejadas por olivais centenários que produzem o azeite DOP Trás-os-Montes — verde, picante, intenso, feito de variedades como a Cobrançosa, a Verdeal Transmontana e a Madural [3,5].


Viajar com propósito nesta região significa também travar conhecimento com os produtores, visitar um lagar durante a apanha (outubro a dezembro), e perceber que o azeite que chega à tua mesa nasceu aqui, nesta terra de contrastes e silêncios.


Descobre os produtores, alojamentos e experiências que ligam a natureza ao azeite em Azeite a Norte.


Informações Úteis


Parque Natural de Montesinho

Parque Natural do Douro Internacional

  • Sede: Miranda do Douro

  • Passeios de barco (Cais da Congida): +351 273 431 132

Geoparque Terras de Cavaleiros

Parque Natural Regional do Vale do Tua

  • valetua.pt

  • Centro Interpretativo do Vale do Tua (CIVT): Mirandela


Referências


[1] ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Áreas Protegidas – Parques Naturais. Disponível em: https://www.icnf.pt/conservacao/rnapareasprotegidas/parquesnaturais

[2] Turismo de Portugal – Visit Portugal. Parque Natural de Montesinho. Disponível em: https://www.visitportugal.com/en/node/156083

[3] A. Montesinho. Montesinho Natural Park – The Region. Disponível em: https://amontesinho.pt/en/the-region/montesinho-natural-park/

[4] Eixo Atlántico. Montesinho Natural Park – Resources. Disponível em: https://vive.eixoatlantico.com/en/recurso/parque-natural-de-montesinho-2/

[5] ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Parque Natural do Douro Internacional. Disponível em: https://www.icnf.pt/conservacao/rnapareasprotegidas/parquesnaturais/pndourointernacional

[6] Turismo de Portugal – Visit Portugal. Parque Natural do Douro Internacional. Disponível em: https://www.visitportugal.com/en/node/156080

[7] ICNF / MSN Portugal. Projeto HabDouro – Recuperação de espécies e habitats ameaçados no Parque Natural do Douro Internacional. Disponível em: https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/icnf-recupera-espécies-e-habitats-ameaçados-no-parque-natural-do-douro/ar-BB1dhGhg

[8] Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Rota pelo Geoparque Terras de Cavaleiros e Parque Natural do Douro Internacional. Disponível em: https://www.lpn.pt/pt/noticias/rota-pelo-geoparque-terras-de-cavaleiros-e-parque-natural-do-douro-internacional

[9] Turismo de Portugal – Visit Portugal. Geopark Terras de Cavaleiros. Disponível em: https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/geopark-terras-de-cavaleiros

[10] Wikipédia. Geopark Terras de Cavaleiros. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Geopark_Terras_de_Cavaleiros

[11] O Berço do Mundo. Macedo de Cavaleiros – Trilhos, geossítios e caretos. Disponível em: https://bercodomundo.com/2021/07/macedo-de-cavaleiros.html

[12] Terras de Trás-os-Montes. Geopark Terras de Cavaleiros. Disponível em: https://www.terrasdetrasosmontes.pt/pages/1036/?geo_article_id=5281

[13] VagaMundos. Macedo de Cavaleiros – Roteiro Geopark e Azibo. Disponível em: https://www.vagamundos.pt/visitar-macedo-de-cavaleiros/

[14] Parque Natural Regional do Vale do Tua – Página Oficial. Percursos Pedestres. Disponível em: http://parque.valetua.pt/percursos/

[15] Ambitur. Percursos Pedestres são produto âncora do Parque Natural Regional do Vale do Tua. Disponível em: https://www.ambitur.pt/percursos-pedestres-sao-produto-ancora-do-parque-natural-regional-do-vale-do-tua/

[16] VagaMundos. Visitar o Parque Natural Vale do Tua – Roteiro, Miradouros e Trilhos. Disponível em: https://www.vagamundos.pt/visitar-vale-do-tua-roteiro/

[17] AllTrails. Parque Natural Regional do Vale do Tua – Trilhos. Disponível em: https://www.alltrails.com/pt-br/parques/portugal/porto--2/parque-natural-regional-do-vale-do-tua

[18] Câmara Municipal de Mirandela. Rede de Percursos Pedestres do PNRVT. Disponível em: https://www.cm-mirandela.pt/pages/892?news_id=413


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