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Produção de azeite cai 10% em Portugal mas qualidade mantém-se excecional

Os números da campanha oleícola 2025/2026 acabam de ser divulgados e confirmam o que muitos produtores já suspeitavam: foi um ano difícil. Portugal produziu aproximadamente 160 mil toneladas de azeite, o que representa uma quebra de 10% face às 177 mil toneladas da campanha anterior, segundo dados da Olivum — Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal [1].


Mas há uma boa notícia: a qualidade mantém-se ao mais alto nível.


Clima adverso marca a campanha


A quebra na produção "reflete um ano de contrassafra e o impacto das condições climáticas adversas — elevadas temperaturas nos meses de verão, seguidas de grande pluviosidade durante a campanha", explica Gonçalo Moreira, da Olivum [1].


O início da campanha foi particularmente desafiante. "Temperaturas muito elevadas e ausência prolongada de precipitação até ao outono condicionaram o rendimento em azeite nas primeiras semanas", refere o responsável. Contudo, "com a descida das temperaturas, os rendimentos de extração melhoraram progressivamente", permitindo alcançar um valor final próximo das previsões iniciais [2].


Impacto desigual nas regiões


A quebra não foi uniforme em todo o território nacional:


  • Trás-os-Montes: Apesar da quebra significativa, "verificou-se um ligeiro aumento das quantidades de azeite transacionadas", embora exista forte concorrência do azeite importado da Tunísia [1].

  • Alentejo: Campanha concluída pouco antes da tempestade Joseph ("foi à tangente!", desabafou um agricultor ao Público [3].

  • Beira Interior: Existências da campanha anterior continuam a condicionar escoamento [1].


Qualidade do azeite excecional mantém-se intacta


A notícia verdadeiramente importante para quem valoriza o azeite português: não se registaram incidências relevantes de pragas ou doenças durante esta campanha. O resultado é uma percentagem muito significativa de azeite virgem extra e elevados padrões de qualidade mantidos.


Este facto é crucial. Numa altura em que a União Europeia reforça controlos de qualidade (como recentemente alertou o Tribunal de Contas Europeu), Portugal continua a destacar-se pela autenticidade e excelência dos seus azeites.


Segundo a Olivum, estes resultados reforçam o posicionamento de Portugal como referência internacional na categoria virgem extra, confirmando a resiliência e a capacidade de adaptação do setor olivícola nacional que continua a afirmar-se pela qualidade, apesar da variabilidade climática [1].


Novos olivais compensam quebra


Um fator importante que impediu uma redução ainda mais acentuada foi a "entrada em produção de novos olivais", revela Gonçalo Moreira.

Este investimento em novas plantações — muitas delas em Trás-os-Montes, com variedades autóctones e práticas de agricultura biológica — mostra que o setor está a preparar-se para o futuro, mesmo em anos climaticamente adversos.


E os preços?


A Casa do Azeite tinha previsto em dezembro uma campanha mediana sem alterações significativas nos preços durante 2026. 


Resta saber se a quebra de 10% agora confirmada, provocará oscilações ao consumidor. Contudo, importa recordar que entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o preço de um litro de azeite virgem em Portugal desceu de 7,98€ para 5,07€ (queda superior a 36%), segundo o Observatório dos Preços do Setor Agroalimentar.


Contexto ibérico preocupante


Enquanto Portugal enfrenta uma quebra de 10%, Espanha — maior produtor mundial — sofreu impactos bem mais graves devido ao mau tempo [3]


Dado que Espanha representa mais de 65% da produção europeia, qualquer variação significativa na produção espanhola repercute-se diretamente nos preços internacionais.


O que isto significa para Trás-os-Montes


Para uma região olivícola como Trás-os-Montes, esta campanha foi indubitavelmente desafiante. Os incêndios do verão, as temperaturas extremas e depois a chuva e neve intensa deixaram marcas.


Mas a mensagem é clara: a qualidade não foi negociada.


Os olivais centenários, as variedades endémicas (Cobrançosa, Madural, Verdeal Transmontana), os métodos tradicionais de colheita e extração a frio — tudo isso se manteve. O azeite de Trás-os-Montes continua a ser azeite virgem extra de excelência, reconhecido internacionalmente.


E isso, em tempos de incerteza climática, vale mais que qualquer quantidade.


Referências



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